Apagão de novo. E agora?

É bastante comum em períodos de ocorrência de instabilidades no setor elétrico (o chamado apagão) as autoridades e os agentes do setor pronunciarem-se de várias formas ou mesmo aguardarem o momento mais oportuno para informarem precisamente o que originou o maléfico apagão ( em outro momento foi arma de reivindicação dos trabalhadores eletricitários argentinos (o famoso apagon). Em vez de somarmos esforços e agir de forma proativa, ficamos apenas acompanhando a movimentação das autoridades envolvidas , políticos oportunistas e aproveitadores da situação para se beneficiarem perante a opinião publica, pois o Setor Elétrico (SE) é parte vital da engrenagem sócio-economica do nosso país.
Neste sentido, vale a pena fazermos uma reflexão. O que realmente deve ser inserido na lista de investimentos fundamentais? Consolidar o fortalecimento e a imagem do setor, criar estratégias criativas, diferenciadas e sair da letargia, pode ser alguns mecanismos imediatos. Precisamos também aprender a filtrar melhor as milhares de informações que recebemos da mídia, muitas delas baseadas em especulação e opiniões evasivas, sem nenhum embasamento real, pois o pior das crises está em nossas cabeças.
Considerando o aspecto técnico da questão, podemos dizer que aconteceu uma instabilidade na tensão elétrica do sistema interligado, ocasionada provavelmente por uma descarga atmosférica, segundo a afirmação da grande maioria dos técnicos e especialistas do setor. E ainda analisando uma informação que me pareceu tocar profundo na questão, foi o que o Sr. Osmar Pinto, especialista do INPE declarou que “...é muito baixa a probabilidade da descarga atmosférica ter incindido na linha de transmissão”, pois a distância e a quantidade de energia do raio são muito inferiores para causar tal dano. Segundo Visacro, especialista em descargas atmosféricas, “...o valor médio de uma corrente de descarga pode variar de 30 kA e 70 kA, dependendo do local da ocorrência e uma descarga entre nuvem e solo, usualmente seu percurso se estende entre 1 e 3 km abaixo da nuvem, embora seu percurso total possa superar 10 km”.
A importância estratégica do SE leva-nos a acreditar que a geração e transmissão deve ficar nas mãos do estado em virtude da pressão que o mesmo pode receber da sociedade para melhor investir, diferentemente do setor privado que visando somente o lucro com certeza não teria o mesmo tratamento, até por que os investimentos envolvidos são de valores altíssimos.
Um outro aspecto que podemos considerar, é que este atual apagão parece diferente dos apagões anteriores, mas que remete à mesma necessidade que um maior investimento não só na expansão como também na melhoria do sistema e pricipalmente na recomposição operacional do mesmo após uma situação de blecaute.
Da lavra de Jorge Furtado.

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