“ORIENTAÇÃO É DIFERENTE DE OPÇÃO SEXUAL”



Por Gilbert Angerami*
Finalizando a divulgação das melhores resenhas críticas desenvolvidas por meus alunos nesse semestre, na última semana tivemos na UFMA – Campus de Imperatriz, um Seminário para o lançamento do grupo de pesquisa “Diálogos e Interseções em Sexualidade – Dintersex coordenado pelo Prof. Jonas do curso de Pedagogia, no qual tive o prazer de ministrar a palestra de abertura: Diversidade Sexual: Fato ou Mito? Vejamos o compilado das duas melhores resenhas a respeito do referido tema:
“Temas polêmicos sempre são dignos de extrema atenção, especialmente quando se trata de uma questão tão comum e que ainda enfrenta as barreiras do preconceito e de muitos tabus: A homossexualidade. É de fundamental importância a criação de grupos como o de pesquisa “Diálogos e Interseções em Sexualidade - DINTERSEX”, para a busca de respostas e esclarecimentos, relacionados a um assunto que muitos consideram complexo e que ainda gera muita discussão. Existem diferentes abordagens do tema que variam de acordo com concepções e crenças convenientes a cada um. Em alguns lugares podem-se encontrar visões preconceituosas sobre o assunto e que promovem grandes expectativas, por parte de quem ainda não está muito familiarizado com o tema. Em outros, é discutido de forma livre e com grande aceitação de diferentes olhares ao redor do termo. A Sexualidade possui um significado bastante abrangente que engloba inúmeros fatores e dificilmente se encaixa em uma definição única e absoluta. Remete-nos a um universo onde tudo é relativo, pessoal e muitas vezes paradoxal. Pode-se dizer que é traço mais íntimo do ser humano e como tal, se manifesta diferentemente em cada indivíduo de acordo com a realidade e as experiências vivenciadas pelo mesmo estando diretamente ligada e dependente a fatores genéticos e principalmente culturais. O contexto influi diretamente na sexualidade de cada um.
Muitas vezes se confunde o conceito de sexualidade com o do sexo propriamente dito. É importante salientar que um não necessariamente precisa vir acompanhado do outro. Cabe a cada um decidir qual o momento propício para que esta sexualidade se manifeste de forma física e seja compartilhada com outro indivíduo através do sexo, que é apenas uma das suas formas de se chegar à satisfação desejada. Sexualidade é uma característica geral experimentada por todo o ser humano e não necessita de relação exacerbada com o sexo, uma vez que se define pela busca de prazeres, sendo estes não apenas os explicitamente sexuais.
Na atual sociedade, o preconceito contra os homossexuais ainda é muito grande, inclusive no meio acadêmico. Tratados com indiferença, e muitas vezes como seres “anormais”, são freqüentemente atingidos por apelidos pejorativos e preconceituosos, “Muitas pessoas, no momento atual, referem-se aos homossexuais como “frescos”, “degenerados” ou “pervertidos” ’’(CAPRIO; BRENNER, 1967, P.84).
De certa forma, ainda bem que existem pessoas que vem lutando para romper com esse paradigma. É o caso de professores e alunos que tem trazido essa questão para ser discutida na sociedade, principalmente dentro das universidades, que é um espaço livre para discutir qualquer tipo de assunto. É muito importante que nossa sociedade mantenha uma relação de compreensão e aceitação com todas as formas de sexualidade. O esclarecimento de dúvidas e a capacidade de respeitar as vontades, desejos e sensações do outro, colabora imensamente com o amadurecimento deste, o que gera sensação de conforto e evita que sofra conflitos internos provenientes de dúvidas e medos, proporcionando-lhe uma experiência positiva e saudável. Conviver com as diferenças é o que faz a diferença.
Faz-se necessário que essa sociedade desenvolva uma consciência de respeito para com a liberdade do outro, acabar com o preconceito e superar esses mitos de que gostar de pessoas do mesmo sexo é pecado. Está faltando à ela saber aceitar, respeitar, valorizar e conviver com as ‘ditas’ diferenças, para que assim tenhamos uma boa convivência sabendo o nosso limite e aceitando o do outro.
Portanto, todos têm o direito de escolher sua orientação sexual, pois vivemos em uma sociedade neoliberal tecnológica, e que, também, as pessoas precisam entender este conceito de liberalismo nas relações sociais, isto é, no convívio com o outro, respeitando e valorizando as diversidades. É como diz a frase: ‘Toda forma de amor vale a pena, qualquer forma de amor valerá’ ”.
E no último Dia Internacional dos Direitos Humanos o governo brasileiro tomou duas medidas que pretendem ajudar ainda mais no combate à discriminação contra homossexuais. A primeira delas foi oficializar a política de estender os benefícios da Previdência Social a companheiros de homossexuais. A segunda, publicar finalmente o decreto que regula a criação do Conselho Nacional de Combate à Discriminação (CNCD). A passos de formiga, percebemos a preocupação das autoridades brasileiras em minimizarem as grandes chagas deixadas por uma sociedade ultrapassada e eminentemente preconceituosa. Independente da circunstância, NUNCA se esqueça: Não é preciso que te aceite, mas sim que te respeite! Trechos das resenhas críticas dos alunos Clésio Mendes e Delma Assunção.
*Gilbert Angerami é Doutor em Comunicação e Cultura, Mestre em Marketing, jornalista, publicitário, ator e professor Adjunto III da UFMA - Campus Imperatriz. Mande seus comentários para o e-mail: gilbertangerami@hotmail.com

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